CAPÍTULO III
Voltemos à Letícia que nesse momento, após ter terminado todas as aulas, desce mais uma vez aquela ruazinha estreita. Passando por ela lembrou-se da noite anterior, não só isso, como também de um passado distante.
Quer saber que passado é esse que tanto perturba Letícia? Então vamos lá.
Letícia aos onze anos de idade perdeu o pai, Sr. Gilberto, e seu irmão, Gideão em um acidente de carro. Ficando apenas ela e sua mãe, D. Ruth.
O tempo foi passando e Letícia ficava cada dia mais bonita. Todos quanto a vissem não podiam negar essa verdade, até as que a invejavam reconheciam isso.
Aos seus quatorze anos, Letícia era possuidora de uma beleza admirável. Na realidade, ela era o tipo de obra de arte a qual o pintor não acabara de terminar, mas que já mostram traços de uma grande perfeição. Tinha uma bela pele morena, cabelos pretos que iam até a cintura, lábios bem desenhados, corpo bem feito, enfim, formosa da planta dos pés à cabeça.
Letícia estava com os seus quatorze anos quando conheceu um jovem por nome de André.
Esse jovem trabalhava no Banco do Brasil da cidade de Formosa. Letícia o conheceu por um acaso. Fora depositar um dinheiro para sua mãe, quando André estava saindo do Banco. Olharam-se, mas a princípio ela não deu muita atenção. Fez o depósito e saiu. Fizera outros depósitos e num desses conversaram. Já faziam dois meses após o "acaso".
Ele soube que ela era evangélica. Procurou saber de que igreja Letícia fazia parte e, em pouco tempo, tornou-se um crente.
Três meses após ele ter entrado na igreja, Letícia e André estavam namorando. Faziam um belo casal, pois André não ficava atrás em questão de beleza. Ele tinha vinte e quatro anos e possuía uma forte personalidade. Só que havia um problema, todos os fins de semana ele tinha que viajar para a Capital, salvo se Letícia insistisse muito para que ele ficasse pelo menos um final de semana com ela. Cedia, pois não resistia aqueles belos olhos pretos que expressavam toda a sua admiração e amor por ele.
Cada momento ao lado de André, era para Letícia maravilhoso, mas achava que o tempo passava rápido demais quando estavam juntos, e uma eternidade quando estavam longe. Ele pouco falava de si mesmo, dizia que gostava mais de ouvir do que falar. E assim passaram-se sete meses juntos.
Em uma tarde de sábado, Letícia passeava pela praça da cidade, quando foi abordada por uma jovem que passava por ela. Essa jovem chamava-se Raquel e Letícia a conhecia de vista, mas sabia que ela era evangélica também, porém não tinha intimidade com ela.
- Letícia, posso falar com você um instante? Olha, eu não sei o que você vai pensar sobre o que vou te dizer, mas... eu sinto que esse namoro seu com André não é da vontade de Deus. - Disse-lhe Raquel olhando-a bem nos olhos.
- Mas por que está me dizendo isso, Raquel? - Perguntou Letícia surpresa.
- É como eu lhe disse,eu não sei. Mas todas as vezes que os vejo juntos, sinto que ele não é a pessoa certa pra você. Quando olho pra ele, sinto como se ele escondesse algo... esse rapaz tem alguma coisa que não parece bem. Tenho orado a Deus para que Ele te faça perceber isso.
Raquel se foi, deixando Letícia pensativa. Ela cuidou de voltar para casa e contar tudo à sua mãe. Ao que ela disse:
- Minha filha, Deus confirmou o que há muito venho sentindo. Não quis te dizer nada para que você não pensassem que eu não aprovava esse namoro, mas agora posso falar, também sinto que esse namoro não é da vontade de Deus. E te digo mais, André esconde alguma coisa. Ouça o que estou te dizendo, ou melhor, que Deus está mostrando para você. Ore, é só isso o que tenho a dizer.
Letícia perturbou-se ainda mais. Estariam elas realmente certas? Seria Deus, realmente contra esse namoro? Estaria André a lhe esconder algo sobre a sua vida? Seria essa a razão pela qual ele não falava de si mesmo? Sua mãe era mulher de oração, não falaria aquelas coisas se não fosse verdade.Fechou-se em seu quarto para orar. Seu quarto era um dos locais da casa que ela mais gostava de ficar quando sentia vontade de isolar-se do resto do mundo. Para Letícia, aquele quarto também era um pedaço do mundo, só que com uma diferença: ela mandava nesse mundo, ao contrário do outro.
A oração, pensava Letícia, é uma forma do homem conversar com Deus a respeito do que ele passa aqui na terra, quer seja momentos bons ou maus; quer seja para contar a Ele de suas felicidades ou de suas tristezas, de sua segurança interior ou medos. Enfim, é o meio pelo qual o homem sente-se à vontade para conversar com o seu Criador e Pai.
Naquele momento, isolada do mundo lá fora, Letícia ajoelha-se perante o Senhor e, sem saber porque, em lágrimas lhe confessa que também sente o mesmo que sua mãe e Raquel.
- Senhor, reconheço que também venho sentindo receios a respeito de André, mas até então não tive coragem de pedir o que vou pedir agora: Pai, se esse namoro não for da tua vontade, mostra-me o que fazer. Se André esconde algo, toca em seu coração para que ele conte-me toda a verdade. Senhor , te agradeço porque sei que tu farás conforme a tua vontade, que é boa, perfeita e agradável. Amém.
Após a oração, Letícia sentiu como se algo maravilhoso estivesse sendo derramado sobre seu coração, algo que lhe dava paz de espírito. Não sentia mais as inquietações de algumas horas atrás.
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